A
pílula anticoncepcional faz parte da história da mulher. Ela
é um dos métodos mais seguros de evitar a gravidez. Mas como
se trata de um medicamento que mexe diretamente com os hormônios, acaba
gerando muitas dúvidas. Confira a resposta para algumas delas.
» O que fazer quando esquecer a pílula?
» Como funciona a pílula anticoncepcional?
» A pílula melhora ou piora a acne?
» Em que momento devo recorrer à pílula do dia seguinte?
» Quem toma pílula tem que fazer a tabelinha?
» Algum remédio diminui o efeito da pílula?
» A pílula aumenta o risco de câncer de mama?
» Tomar pílula engorda e dá varizes?
» Quais os efeitos colaterais da pílula?
» Quem não pode tomar a pílula?
» Como tomo a pílula?
» Emendar as pílulas para não menstruar faz mal?
» Anticoncepcionais podem ser tomados sem avaliação?
» Tomar pílula muitos anos prejudica a fertilidade
» Quantas vezes posso tomar a pílula do dia seguinte?
O que fazer quando esquecer a pílula?
Quando
se esquece de tomar uma pílula e neste mesmo dia você tem relação
sexual, é possível ocorrer gravidez? Tem algum risco se eu tiver
relação até o final da cartela? E no início da
nova cartela? Já pode ter relação sem o uso da camisinha?
Laura Müller: Ooooooops! Se você esquece de tomar uma pílula
da cartela, tome-a assim que se lembrar. Mas isso só vale até
no máximo um dia depois. Se passar mais tempo, não dá.
A coisa se complica: há risco de engravidar. Aí é o caso
de aliar outro método para evitar a gravidez: a camisinha (aliás,
a gente deve usar camisinha SEMPRE, por causa das doenças sexualmente
transmissíveis).
Vale dizer: cada pílula é de um jeito, mas, em geral, essas são as regras para a maioria delas. Quanto ao recomeço da nova cartela, é importante seguir as recomendações do fabricante (leia a bula!!!) para verificar direitinho em que momento a relação sexual se torna livre do risco de gravidez.
Uma dica: para não esquecer, procure ingerir as pílulas sempre no mesmo horário. Por exemplo, antes de dormir ou na hora do almoço. Tomar o medicamento sempre na mesma hora é, aliás, uma maneira de garantir uma maior eficácia do método.
Outra dica: vá ao ginecologista para que ele avalie quais os métodos mais indicados para o seu caso. Há pessoas que se dão bem com o anticoncepcional injetável, que geralmente é aplicado 1 vez por mês ou a cada três meses. Essa pode ser uma maneira alternativa e interessante para quem vive esquecendo a pílula.
Mas...
repito: é importante ouvir o ginecologista. Cada caso é um caso
e ninguém melhor do que seu médico para avaliar o que é
melhor para você.
Como funciona a pílula anticoncepcional?
Tenho
muitas dúvidas a respeito da pílula: como ela funciona? Posso
confiar nela?
A pílula, como são popularmente conhecidos os contraceptivos
orais, possivelmente é o método de contracepção
mais comum no mundo: calcula-se que nada menos que 90 milhões de mulheres
no mundo todo façam uso dela.
Os anticoncepcionais atuam evitando que ocorra a ovulação (liberação de óvulo pelos ovários), que se dá por volta do 14º dia do ciclo menstrual.
Com esse número de usuárias, não é de se espantar que os anticoncepcionais orais (ACOs) façam parte do seleto grupo de medicamentos mais exaustivamente pesquisados desde seu surgimento, há cerca de 35 anos. Apesar de nenhum método contraceptivo ser isento de riscos, estes tendem a ser mínimos e contrabalançados pelos benefícios. Um bom acompanhamento médico pode ajudar a reduzir os riscos em potenciais durante o uso.
"A pílula melhora ou piora a acne?"
Ouvi dizer que a pílula ajuda a melhorar os sintomas da acne, mas que,
quando a gente pára, as espinhas voltam. Isto é verdade?
A parada no uso da pílula pode ser causa do aparecimento de acne (espinhas),
causado pelo aumento dos níveis de androgênios (hormônios
masculinizantes).
Os anticoncepcionais orais (ACOs) reduzem os níveis sanguíneos
de androgênios e, desta forma, podem colaborar para diminuir a gravidade
da acne. Por outro lado, como não existem verdades absolutas na medicina,
em algumas raras mulheres a acne pode ser um efeito colateral da pílula.
"Quem toma pílula tem que fazer a tabelinha?"
Tomo o anticoncepcional regularmente, sem atrasos. Ainda preciso fazer a tabelinha?
A chance de gestação nestas condições é praticamente nula, girando em torno de 0,3/anos mulher, isto é: se tivermos 300 mulheres usando o anticoncepcional por um período de 12 meses, no final deste ano teremos somente 1 grávida. É muito azar, você não acha?
"Algum remédio diminui o efeito da pílula?"
É
verdade que os remédios antibióticos diminuem os efeitos da
pílula anticoncepcional?
Alguns medicamentos como a ampicilina, por exemplo, um antibiótico
bastante comum e utilizado no tratamento de infecções urinárias,
faringo-amigdalites e pneumonias, entre outros, pode reduzir a eficácia
da pílula.
Ainda, várias drogas anti¿convulsivas (utilizadas no tratamento de diversas formas de epilepsia) podem diminuir a eficácia dos anticoncepcionais orais. Nesses casos, as mulheres devem procurar seu ginecologista para ser prescrito uma pílula de maior dosagem.
"A pílula aumenta o risco de câncer de mama?"
Quero começar a tomar a pílula, mas tenho medo que isso possa
me causar câncer de mama ou de útero. Qual a chance de que isto
aconteça? O risco de câncer de mama é praticamente o mesmo
entre usuárias e não usuárias de anticoncepcionais orais.
Nos tumores malignos do endométrio (camada mais interna do útero)
e do ovário, a pílula exerce um efeito protetor; as usuárias
de ACOs apresentam metade do risco de câncer de endométrio e
ovário das não usuárias.
"Tomar pílula engorda e dá varizes?"
Engordei
um pouco depois que comecei a tomar a pílula, mas dizem que uma coisa
não tem relação com a outra. Também me surgiram
algumas varizes. É por causa da pílula?
Ainda que o ganho de peso esteja entre as queixas mais comuns das mulheres
que utilizam anticoncepcionais orais, estudos mostram que isto pode não
ser completamente verdadeiro. Assim, queixar-se de ganho de peso já
não é a melhor desculpa para interromper o uso da pílula...
Quanto às varizes, como os anticoncepcionais orais possuem diversos
efeitos sobre o sistema cardiovascular, é possível que estejam
envolvidos de alguma forma no desenvolvimento de varizes.
"Quais os efeitos colaterais da pílula?"
Quero começar a tomar a pílula anticoncepcional, mas tenho medo dos efeitos colaterais. Quais são os mais comuns? Podem ocorrer sintomas como náuseas, dor de cabeça, dor nos seios, sangramento vaginais irregulares e depressão nos primeiros meses de uso da pílula, mas estes efeitos colaterais freqüentemente cessam após alguns meses. "Quem não pode tomar a pílula?"
Tenho
problemas de coração, e meu médico disse que eu não
devo tomar anticoncepcionais. Quais são as outras situações
em que não se deve tomar?
Apresento abaixo uma lista de possíveis situações que
devem ser consideradas e discutidas com seu médico antes de escolher
um método contraceptivo. A pílula não é recomendada
em mulheres com:
Tromboflebite ou distúrbio ou história de coagulopatia;
História de acidente vascular cerebral (derrame);
História de doença arterial coronariana, angina pectoris, ataque cardíaco, insulficiência cardíaca ou valvulopatia cardíaca;
Insuficiência renal;
Antecedentes ou suspeita de câncer de mama ou câncer estrogênio¿dependente em orgãos reprodutivos;
Gravidez confirmada;
Tumor
de fígado ou Hepatite aguda.
Recomenda-se acompanhamento médico regular e criterioso para as mulheres
em uso de contraceptivos orais que apresentem qualquer um dos seguintes itens:
Sejam fumantes e tenham mais de 35 anos de idade (os riscos são ainda
maiores naquelas que fumam mais de 15 cigarros/dia);
Enxaqueca após o uso de contraceptivos orais;
Diabetes ou Diabetes gestacional;
Cirurgia eletiva de grande porte, com ou sem previsão de imobilização prolongada;
Sangramento vaginal/ uterino de origem obscura;
Drepancitose (Anemia falciforme);
Mulheres em fase de aleitamento;
Doenças de vesícula biliar ou icterícia;
Mulheres com mais de 50 anos de idade;
Doenças do coração ou rins, ou história familiar (especialmente mãe ou irmãs) de morte por doença cardíaca antes dos 50 anos de idade;
História familiar de hiperlipidemia (excesso de gordura no sangue);
Retardamento
mental, doenças psiquiátricas, alcoolismo, dependência
de drogas ou qualquer outros distúrbios que dificulte a utilização
da medicação.
Como tomo a pílula?
Doutor,
eu gostaria de uma orientação sobre como usar a pílula:
quando devo tomar o 1º comprimido? Posso fazer sete dias de intervalo
entre cada cartela? Tenho que parar de vez em quando, para dar um "descanso"?
Quando se inicia um método anticoncepcional hormonal oral (pilula anticoncepcional),
a minha orientação é começar a primeira cartela
tomando o 1º comprimido na noite do 1º dia do ciclo menstrual, ou
seja, no 1º dia da menstruação. Deve-se fazer um intervalo
de sete dias entre cada cartela subseqüente. Não existe a necessidade
de parada do anticoncepcional após um tempo de uso, o "descanso",
como se fala no meio leigo, desde que a paciente compareça a seu ginecologista
rotineiramente para exames periódicos, pelo menos uma vez ao ano.
"Emendar as pílulas para não menstruar faz mal?"
Há
algum problema em emendar as cartelas de pílula anticoncepcional? Não
menstruar causa algum mal? Tenho cólicas fortes, enjôos e diarréia
no período menstrual, por isso emendo as cartelas por seis meses. Só
então dou uma pausa e mestruo. Há problema?
Adalgisa, 21 anos.
A principio não há problema, porém existem medicamentos mais apropriados para se suspender a menstruação, com menores efeitos colaterais. Estes medicamentos são à base só de progesterona, e não de progesterona associada ao estrogênio, outro hormônio presente nas pilulas anticoncepcionais.
Anticoncepcionais podem ser tomados sem avaliação
Existe
alguma pílula anticoncepcional que possa ser tomada por qualquer mulher
sem receita ou avaliação médica?
As pílulas anticoncepcionais variam muito na dosagem. Além disso,
existem muitas no mercado, produzidas por laboratórios diferentes.
O anticoncepcional é indicado em função de cada paciente
e de suas características particulares: presença de doenças
asssociadas, idade, tipo de ciclos menstruais, etc. Sendo assim, o ideal é
que a escolha de uma pílula seja orientada sempre por um médico
ginecologista após uma avaliação médica precisa.
Tomar pílula muitos anos prejudica a fertilidade
Gostaria
de saber se existe algum problema na ingestão contínua do anticoncepcional.
Tomo pílula há oito anos sem pausa. Terei dificuldades de engravidar?
Pacientes que fazem uso de anticoncepcional hormonal por um período
muito longo podem, mas não necessariamente, ter uma parada da menstruação
após a interrupção de ingestão da pílula,
com consequente falta de ovulação. Estas pacientes terão
dificuldade de engravidar e precisam fazer uso de medicação
indutora da ovulação para que consigam uma gestação.
Esta situação não é comum, e o anticoncepcional
não deve ser interrompido por este motivo.
Quantas vezes posso tomar a pílula do dia seguinte
Quantas
vezes a pílula do dia seguinte pode ser tomada? É verdade que
a partir da terceira vez ela não faz mais efeito? No que ela pode me
prejudicar futuramente?
Nana, 19 anos
O uso da pílula do dia seguinte é uma conduta de emergência
que deve ser utilizada realmente somente nesta situação, e não
com freqüência ou mensalmente.
Se você é uma mulher que tem atividade sexual com determinada freqüência, seria mais interessante utilizar-se de um método anticoncepcional mais rotineiro como o hormonal (via oral ou injetável) ou o DIU.
Efeito a pílula do dia seguiente sempre vai ter, independente do número de vezes que se utilize, porém pode passar a existir certa irregularidade menstrual.
Independente do uso de qualquer método anticoncepcional que se esteja utilizando, a camisinha deve ser sempre usada, para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis como gonorréia, sífilis, AIDS, HPV, etc...
Cinco centenárias contam o segredo para uma vida longa
Quatro
vizinhas em um asilo nos Estados Unidos, todas centenárias, são
questionadas o tempo todo: "Como você chegou aos cem anos"?.
Esse raro grupo de cinco garotas de ouro diz que a chave para a longevidade
é trabalhar duro em um emprego que você ame e tomar conta do
seu corpo enquanto você está nele.
Apesar de haver um número estimado de 70 mil pessoas nos Estados Unidos
com 100 anos ou mais, é incomum encontrar cinco centenárias
vivendo no mesmo lugar. A média de vida dos norte-americanos não
chega aos 80 anos. E a maioria das pessoas corta café, soda, álcool,
cigarros para ter uma alimentação saudável.
"As pessoas me dizem o tempo todo, 'Eu não quero viver até chegar aos 100'", diz Mildred Leaver, que fez 100 anos em junho. Suas quatro amigas centenárias do asilo Rolla Presbyterian Manor balançam suas cabeças grisalhas concordando. Elas escutam a mesma coisa.
"Isso é triste. Envelhecer é atitude e eu não me sinto velha", diz Leaver, uma educadora aposentada. Não demora muito para ver que Leaver e suas vizinhas Mildred Harris, Grace Wolfson, Gladys Stuart e Iola Semas têm muito mais em comum que a longevidade os bons hábitos alimentares.
Apesar de sua visão e audição não serem mais como antes, elas todas não tiveram doenças das quais que muitas pessoas idosas são acometidas. Já se passaram 50 anos desde que Leaver venceu um câncer pela primeira e última vez.
O caminho comum que conecta essas mulheres são as décadas de serviço em funções que amavam, como fazendeira, designer, diretora de escola, contadora e secretária. Nos primeiros anos de suas vidas, mulheres empregadas ganhando dinheiro eram tão raras quanto as centenárias são hoje.
Wolfson diz que a carreira de 25 anos a ajudou a viver os cem anos e os melhores momentos de sua vida. A imigrante de Budapeste, Hungary, que fez 100 anos nesse verão, diz que ainda é artisticamente inspirada hoje. A arte dela está presente no asilo, onde uma festa foi feita esse mês em honra às cinco mulheres.
Harris diz que seu árduo trabalho na fazenda e a abundância de frutos e vegetais no quintal mantiveram-na firme. Ela também defende que não se fume."Eu vi meu marido tossir e tossir até ser morto por isso", diz.
A longa carreira como contadora manteve a vida de Semas balanceada financeiramente. Semas diz que ainda ama os números, especialmente quando ganha alguns em uma cartela de bingo.
Todas as mulheres dizem que a vida no asilo não era nada como elas esperavam. "Fazem um ótimo trabalho nos mantendo entretidas, ativas e aproveitando a vida", diz Stuart, uma secretária aposentada e a mais velha das amigas, com 101 anos.
Anita
Carroll, 50, diretora do Presbyteriano Manor, diz que o estigma sobre asilos
está mudando. "As pessoas não vêm aqui para morrer,
elas vem aqui para viver", diz. Quando Leaver, a professora e diretora
de escola entrou no asilo cinco anos atrás, Caroll instantaneamente
a reconheceu: Leaver foi sua diretora no ensino fundamental. "Você
cuidou de mim todos esses anos", disse Carroll quando Leaver se mudou
para o asilo. "Agora eu vou tomar conta de você."